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28 de fev de 2010

Lá em Parati.

Em meu carro a noite
Na estrada
Um céu que nos engole
De estrelas que brilham em uma noite quente e iluminada
Vejo faróis na direção contrária mas nenhum na mesma que nós
Dois cachorros
O preto no branco
Duas fêmeas
E eu no volante, fumando um cigarro
A estrada estava vazia
A noite era linda
E ela põe as mãos dela entre os meus dedos
Meu peito salta cada vez mais rápido
Não aguento a felicidade que transborda neste instante
Quero gritar
Mas me calo porque me beija
E isso me faz um bem!
Calmo, demorado.
Nosso beijo me causa desequilíbrio
Que bom!
Com ela eu tenho toda a calma
Quero me mostrar pra ela
Que ela saiba de todos os meus segredos
Dez dias longe de tudo
Comida
Sexo
Sono
Praia
Bichos
Cores
Plantas
Cheiro de erva no quarto
Cachoeira com água gelada
Um abrigo de paz
Um mergulho no mar quente
Com ondas que quebram na beira
uma piscina natural
de água salgada
com movimento
Somos dois corpos
Trocando
Entregando
Querendo
Desejando
Duas almas aflitas de paixão
Entregues ao mais puro sentir

14 de fev de 2010

ruaaaa ruaaaa ruaaaaa

Uma praia qualquer
canga na areia
mergulho de cabeça
água fria
a onda que passa e limpa e refresca
muito calor
o sol está quente
queimando cabelo
fritando os miolos
pensando em onde está
o que é que eu quero de tudo?
errando e acertando em graus bem divididos
o escuro não me assusta
o silêncio me acalma
por horas na noite
vago entre a fumaça

3 de fev de 2010

Ela chegou sem dizer que vinha
e foi ficando
trouxe roupas e trecos
quis me colocar para um dos lados da cama
não perguntou
não disse nada
eu gostei no início e hoje me sinto como algo de estimação
preso nesta relação que não evolui ou piora
andando sem muitas alterações
e a gente se agarra nisso que não muda
eu em você
você em mim
nós dois sobreviventes em um país novo
trabalhando mais de 8 oito horas diárias
com o dinheiro entrando em nossas contas
e a bebida
a droga
e todo o exagero do que é possível
e tudo iludia o que a gente sentia
um dia eu quis ir embora dalí
e contei a ela
que chorou feito criança
dizendo que estava acostumada com a minha companhia
que aguentava
e entendia as minhas palavras
a minha vontade de sair de dentro de uma união que não intensificava
foi ficando sem cores
como qualquer cotidiano que não inova
peguei as roupas
e o resto de bagagem que eu tinha
o apartamento estava no meu nome
mas ela era a pessoa certa para estar nele
eu queria me livrar de tudo
dela
do espaço
ir embora
esquecer
manter como lembrança
o sentir existe de fato
mas esta sensação de liberdade
de não ter que dar satisfação
pedir opnião
brigas não
era eu lá
na novidade
em um lugar amplo de possibilidades
e foi isso que fiz
fui em busca da noite
e dos dias em Londres
solteiro
feliz
vivendo cada noite em um pub interessante
conhecendo pessoas
conversando sobre todos as coisas
sorrindo
solto
alegre
animado
fui ficando assim
gostando de tanta coisa
que uma só era pouco
fui quetendo muito
querendo tanto
e eis que surge
Manuela
Um ser loiro
Maluca
De iniciativa
Intempestiva muistas vezes
Jogava tudo contra a parede
E os pedaços partidos ficavam no chão
enquanto doidão eu ria
largado no sofá
Ah!
Lógico que depois de três trepadas fomos morar juntos
Agora o ap era dela
Era ela a dona do nome das responsabilidades
E eu fui ficando naquilo
No ato
Preso ao fato de estar feliz ao lado dela
De estar pleno
Gosto cada dia mais dela
Manuela
Não são várias
é uma só
e não tentem fazer com que eu queira o contrário
só uma paz